Há uns tempos criei um grupo no facebook que se antecipava à publicidade enganosa com que a comunicação social beneficia anualmente a festa do avante. Dizem, todos os anos, que as FARC-EP ou o seu braço político estarão presentes, o que é mentira. Por isso estranhei que fosse imediatamente apagado e sem razão aparente, aquilo que para mim não passou de uma brincadeira.
Parece que não é caso isolado. O grupo de apoio a Ricardo Palmera, mais conhecido por "Simón Trinidad", foi também encerrado no dia 30 de Junho, assim como o perfil dos seus administradores [1]. Só o desespero pode justificar que a perseguição política chegue às redes sociais.

Para quem não conhece a história de Simón Trinidad: era já um marxista-leninista em 1987 quando decide abandonar a vidinha confortável e roubar 30 milhões de pesos do banco para o qual trabalhava. Partiu para a Sierra Nevada de Santa Marta onde se juntou à guerrilha.
Teve funções importantes no Estado-Maior da Região do Caribe, mas foi no desempenho das funções de negociação que foi detido em Quito no final de 2003. Ricardo Palmera ia reunir-se com James Lemoyne, representante de Kofi Annan para as negociações FARC-Colômbia. Foi preso e enviado de imediato para a Colômbia, num claro atropelo a todos os procedimentos judiciais. Depois foi extraditado para os Estados Unidos e, como membro da guerrilha, condenado a 60 anos de prisão pela captura de três agentes da CIA nesse mesmo ano, no qual ele não participou. Simón Trinidad não teve direito a testemunhas, não teve direito a escolher um advogado, não teve direito a traduções nem a materiais de escrita.
[1] Facebook Censors Ricardo Palmera Group
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